Pesquisa rememora cenário musical em Manaus das décadas de 40 a 60

Com o objetivo de refletir a respeito do cenário musical em Manaus no período de 1943 a 1964, por meio do espaço radiofônico, revitalizando a sua memória musical, seus processos culturais, seu passado, seus fatos e as suas representações, a doutoranda Lucyanne de Melo Afonso, defendeu a temática “Não desligue o rádio: o cotidiano musical radiofônico em Manaus ( 1943 – 1964).”
A pesquisa, que teve como orientadora a professora Rosemara Staub de Barros, foi defendida na última sexta-feira, 28, no auditório Rio Javari da Faculdade de Tecnologia (FT), faz parte do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS).
Como fonte documental, a pesquisadora utilizou-se de recursos documentais e orais, com as pesquisas dos registros dos jornais A Crítica , do Commécio, da A Gazeta, da Biblioteca Pública e a Revista do Rádio (nacional) e, na parte oral, com as entrevistas de radialistas e artistas remanescentes da época.
Organizado em seis capítulos, a pesquisa contextualizou a história do rádio no Brasil e a sua implantação nas cidades, integrando o país a partir das variadas manifestações da cultura popular, da música a dramaturgia. Promoveu a música popular, lançou moda e proporcionou o surgimento de muitos cantores, que eram transformados em celebridades pelos programas populares.
Retratou, ainda, a história radiofônica no Amazonas, citando Nogueira (1999), que divide sua formação em três fases: a sua origem ( 1927 – 1924), da Voz de Manaós à Voz da Baricéia . A fase (1943 – 1965), época da floração, que vai da Rádio Baricéia à Rádio Baré e sua incorporação aos Diários Associados e, a fase chamada de frutificação (1966 1990), que aborda a industria cultural e o seu atrelamento ao mercado cultural.
Abordou, também, questões relacionadas a Amazônia, contextualizando a sua natureza , o seu imaginário e os interesses internacionais na região, desde da época da imigração nordestina para trabalhar nos seringais, passando pelo Plano de Valorização Econômica da Amazônia do governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) e os processos de migração dos seringais para a cidade, sendo o rádio presente em todos os espaços “ rompendo as fronteiras geográficas da Amazônia, um condutor e um elo de ligação das culturas e linguagens, desfazendo uma representação de um espaço isolado e distante, permitindo que a Amazônia fosse vivenciadas de outra forma, não somente pelas cartas escritas e histórias contadas, mas pelo sonoro e pela linguagem midiática”. Dessa forma, a doutoranda apresenta o rádio como um espaço de divertimento, do lazer pela escuta e pelas suas ações, a criar no imaginário seu próprio Olimpo do Vale Amazônico, com seus deuses para serem enaltecidos.

Ao resgatar a memória musical do cotidiano radiofônico em Manaus, a pesquisadora destacou o início da Rádio Baré, nos Diários Associados (1943), a inauguração da Rádio Difusora (1948) e o surgimento da Rádio Rio Mar (1954), com direcionamento religioso sob a direção da igreja católica e, seus elencos musicais e programas variados e ao vivo. Ressaltou, também, aspectos como a valorização do artista local, as rivalidades e as intrigas e criticas ao elenco radiofônico por partes dos jornais do Commercio e A Crítica.
Em suas considerações finais, a pesquisadora salienta que apesar da época ser economicamente desestruturada, o cotidiano musical foi permeado de muitas ações culturais, havendo um cotidiano cultural efervescente, com muito charme, elegância, encanto, polêmicas e rivalidades.
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