Estudo aborda aspectos da Festa de Nossa Senhora do Carmo em Parintins
Dando sequência ao calendário de defesas do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia para o mês de agosto, foi apresentada na terça-feira, 20, no auditório Rio Negro do IFCHS, à defesa da doutoranda de Rosimay Corrêa com o tema “ A flor do carmelo: o céu e os inferninhos no arraial da festa da padroeira de Parintins no Amazonas”.
A linha de pesquisa 1: Sistemas Simbólicos e Manifestações Socioculturais, corresponde o enquadramento da temática adotado para a pesquisa. A orientação da pesquisa ficou sob a responsabilidade da professora Iraíldes Caldas Torres e, na Banca Examinadora, os professores Ricardo Gonçalves Castro, Solange Pereira do Nascimento, Conceição Oliveira Serra Pinto e da professora Marilene Corrêa da Silva Freitas.
De temática interdisciplinar, o tema despertou o interesse da doutoranda a partir do Mestrado em Sociologia, concluído em 2011, e de sua vivência em Parintins, sua terra natal, como também, da sua fé Católica e devota da padroeira, com o objetivo de verificar os elementos de religiosidade popular na dimensão da fé dos moradores da cidade de Parintins, estabelecendo uma análise reflexiva sobre a devoção a Nossa Senhora do Carmo e o processo de hibridização dessa religiosidade, envolvendo crenças e elementos da natureza associada à ancestralidade indígena.
Como metodologia de pesquisa, a abordagem adotada foi de natureza etnográfica e dialógica, com a realização de pesquisa de campo, com entrevistas semiestruturada e observação participante. A amostra da pesquisa teve a participação de dez pagadores de promessas, um intelectual, um frade carmelita, três párocos (dois antigos e um atual), cinco representantes de comissão, três moradores antigos e três proprietários de barracas.
Estruturada em quatro capítulos, o estudo apresentou a religiosidade popular e a hibridação da fé, bem como, a cultura indígena Sateré-Mawé e a sua relação com o catolicismo. Abordou, também, a origem do “inferninho”, que são as aglomerações de barracas de alimentos, surgidas as margens do arraial da festa da padroeira, na qual, transitam os todos aqueles que participam da festa. A organização da festa da padroeira foi retratada, assim como da sua importância religiosa, cultural e econômica para a sede do município, movimentando pessoas e comércio.
Em suas conclusões, a doutoranda enfatiza a religiosidade popular enquanto expressão de fé massificada em procissão, novenário, promessas e outros elementos de transcendentalidade que alimentam a vida do povo amazônico, em especial os moradores de Parintins, demonstrando que a religiosidade popular é o vigor espiritual das águas, da terra e da floresta.
Redes Sociais