Defesa de Memorial Descritivo da professora Maria do Perpétuo Socorro Rodrigues Chaves

Com a presença numerosa de amigos, colegas e familiares, a professora Socorro Chaves, pertencente ao quadro docente do Departamento de Serviço Social, fez sua a apresentação de seu Memorial Descritivo para apreciação à Comissão Especial de Avaliação, com fins de promoção ao cargo de professor Titular. A cerimônia foi realizada quarta-feira, 8, no auditório Rio Solimões do IFCHS.
Em seu discurso na abertura dos trabalhos, a presidente da Banca Avaliadora, professora Elenise Scherer, disse que aquele momento era especial e de muita importância em razão da universidade brasileira está resistindo uma história de terra arrasada contra o ensino. Destacou, sobretudo , naquele momento, à figura da professora Socorro Chaves, como dona de uma brilhante história pessoal e profissional.
Ao descrever sua trajetória de vida, Socorro Chaves disse que sua família é oriunda do município de Beruri, sendo ela a primeira da família à nascer em Manaus. Criada por suas duas tias e um tio na cidade, como se fosse seus pais, Chaves teve todo o apoio deles para que tomasse gosto pelas artes, em especial, cinema e teatro. “Apesar de não ter uma família com condições financeiras das melhores, tive o privilégio de ter uma família que me iniciou com a formação cultural importante”, declarou, destacando à sua trajetória profissional devido a sua origem de ribeirinha, já que morava com a família em um flutuante e, por isso, “ ter muito orgulho dessa origem, porque fez eu entender o significado da água para os ribeirinhos e para à população tradicional da Amazônia”.
Destacou, também, outros fatores que contribuíram em sua formação para o gosto e aprendizagem nas artes, que foi o tricô, ensinado por suas tias, o exemplo do tio que conseguira passar no vestibular da Ufam e o gosto pela leitura, incentivado também por ele, que o presenteava com livros , gibis e revistas que muito a contribuiu para ter uma visão que possui hoje. Relembrou, ainda, os momentos que teve de passar por enfrentamentos com problemas de saúde, e do momento que conheceu o
seu primeiro namorado e marido, parceiro que a ajudou a realizar seus sonhos.
A sua formação profissional esteve presente em diversas iniciativas e atividades, que incluiu monitoria do Projeto Rondon na época das formações dos bairros Tancredo Neves, Nova Esperança e Lírio do Vale, assessoria de governo da SEAD, e em trabalhos em movimentos sociais de associações de moradores, Sindicato dos Assistentes Sociais, assessoria do Sindicato dos Metalúrgicos, CUT, Pastoral Operária, Pastoral da Terra, Movimento pelo Solo Urbano, Movimento Ribeirinho. Trabalhou, ainda, pelo Movimento Nacional dos Seringueiros e dos Pescadores. Tudo isso, contribuindo para suportes e base crítica para trabalhar com referência as massas.
Esclareceu, que o seu mestrado se baseou na organização dos seringueiros do Amazonas, e que foi uma empreitada de afetos em virtude das lembranças de quando criança ouvia de seu pai histórias dos soldados da borracha e dos seringueiros. Pesquisa que se transformou em livro publicado pela editora Valer.
Docente do quando do Serviço Social desde abril de 1991, inúmeras atividades teve inicio em seu desafio de ser mestre. Depois, saindo para o seu doutorado em 96 (Paris) com a tese sobre gestão comunitária na Amazônia e tecnologia apropriada, estudo que deu suporte para a construção da metodologia da Interação. Na UFAM, fez parcerias de estudos e pesquisas com o professor Rubens da FT com ênfase em tecnologias sociais para acesso de energia no meio rural. Posteriormente, na gestão da professora Márcia Perales e do professor Edinaldo, no período de 2009 a 2017, foi para a área administrativa da Instituição, trabalhando para uma política institucional de inovação que culminou com a criação pelo CONSUNI da pró-reitora de Inovação Tecnológica (PROTEC).
Dentre os programas criados à frente da PROTEC, Chaves ressaltou a criação do Parque Cientifico e Tecnológico para inclusão social, o Observatório Administrativo e a criação de uma Incubadora Indígena em Parintins. Enumerou ainda realizações da pro - reitoria em coordenadorias de diversos programas de apoio e eventos tantos locais como
internacionais, e desenvolvimento de uma série de programas de grupos de pesquisas.

Em sua fala final, Socorro Chaves disse ter bastante clareza dos seus limites e que possui muita gratidão por todas as ajudas recebidas, agradecendo com o todo seu amor aos amigos, familiares, colegas de trabalho e comunitários dos diferentes recantos da Amazônia, que foram e que são essenciais em sua existência pessoal, acadêmica e profissional. “ Eu queria dizer a todos vocês, seu eu pudesse dar alguma coisa na vida, eu daria a capacidade de vê a si mesmo através de meus olhos. Só assim vocês perceberiam como são especiais para mim”, declarou
A postulante ao cargo de professor Titular, professora Socorro Chaves, foi aprovada com louvor pela Banca Avaliadora, por sua brilhante trajetória de vida pessoal, acadêmica e profissional.
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